Do asfalto do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro ao calor das terras vermelhas da Lunda-Sul, a visita do Papa Leão XIV, que começa este sábado, 18 de Abril, marca um novo capítulo na história de Angola.
Mais do que um evento de Estado, esta jornada de quatro dias funde a diplomacia de alto nível com uma devoção popular que faz de cada paragem um altar de esperança.
Neste momento, centenas de Angolanos começam já a afluir ao aeroporto 4 de Fevereiro, entre os quais membros do Secretariado Nacional do Apostolado dos Leigos da CEAST, representando mais de 15 milhões de católicos angolanos.
O Roteiro da Esperança
Com efeito, Angola dá uma paragem para acolher o sucessor do Apóstolo Pedro, o terceiro Pontífice a pisar solo nacional depois de João Paulo II (1992) e Bento XVI (2009). A agenda foi desenhada para tocar as feridas e as alegrias do povo:
- Sábado (18/04) – A Voz Diplomática: Depois da recepção que irá beneficiar com honras militares, o Papa vai encontrar-se com o Presidente João Lourenço. Depois deste encontro, o Santo Padre reúne-se no Salão Nobre da República com o corpo diplomático e à sociedade civil, sublinhando que a harmonia social e o combate à corrupção são os alicerces de uma nação próspera. À noite, o foco será eclesial, num encontro privado com os Bispos da CEAST.
- Domingo (19/04) – O Mar de Fiéis: A manhã será marcada pela Santa Missa na Centralidade do Kilamba, onde se espera que centenas de milhares de vozes entoem cânticos de paz. À tarde, num contraste de silêncio e oração, o Papa voa de helicóptero para o Santuário da “Mamã Muxima”, o coração espiritual de Angola, para a recitação do Terço.
- Segunda-feira (20/04) – A Periferia que Rege: A viagem a Saurimo simboliza a descentralização do amor papal. Ao visitar a Casa de Acolhimento de Idosos e celebrar a Missa Campal no Leste do país, Leão XIV reforça a solidariedade com o interior. O dia termina em Luanda, na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, com um encontro profundo com o clero e agentes pastorais.
Ecumenismo e Raízes Históricas
Como recorda o Frei Silva António, Angola abraçou o Evangelho há mais de 500 anos, sendo pioneira na África subsaariana. Este legado reflecte-se hoje numa “relação sadia” entre confissões. A presença de líderes protestantes e muçulmanos nos actos centrais reforça que a mensagem de Leão XIV — o primeiro Papa norte-americano, formado na Ordem de Santo Agostinho — é universal. Ele não vem para converter, mas para “fortalecer os irmãos na fé”, num país onde a religião é o principal tecido de coesão social.

