Antes de aterrar em Luanda, o Papa Leão XIV semeou mensagens de paz e diálogo inter-religioso no Magrebe e na África Central. As sementes lançadas na Argélia e nos Camarões ecoam agora nas ruas de Angola, provando que o diálogo é o único caminho para a fraternidade continental.
Argélia: A Fraternidade dos Gestos Simples
Na Basílica de Nossa Senhora da África, em Argel, o mundo parou para ouvir Monia Zergane. Numa das passagens mais emocionantes da viagem, a muçulmana relatou como cristãos e muçulmanos cuidam juntos dos mais vulneráveis. “A fé que não isola, mas abre”, disse ela.
Esta experiência foi testemunhada por jovens angolanos que estudam no norte de África. Jackson Santos, líder da Comunidade Shalom em Béjaïa, descreveu a odisseia para ver o Papa em Annaba: sete horas sob chuva e frio intenso. “Valeu a pena. Ver o Papa numa Igreja que representa menos de 1% da população argelina reacendeu em nós o fogo da missão,” afirmou Jackson. Para os jovens luso-angolanos presentes, a lição foi clara: a caridade é a linguagem comum a todas as religiões.

Camarões: A Justiça como Condição para a Paz
Em Douala e Yaoundé, Leão XIV actuou como o “Diplomata da Paz”. Num país marcado por tensões internas, o Pontífice foi incisivo ao afirmar que “a paz não é apenas a ausência de guerra, mas a presença da justiça”. A sua mediação espiritual e os apelos ao fim da violência nas regiões anglófonas serviram de prelúdio para a sua chegada a Angola, trazendo uma mensagem de reconciliação que é vital para qualquer nação africana em crescimento.

